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Mais uma vez... sem tempo!

Devido a uma série compromissos (trabalho novo!), estou mais uma vez com o tempo extremamente curto. Passarei uma temporada longe dos blogs da vida! Mas não desitirei e logo voltarei a divagar sobre filmes e tudo que diz respeito à minha arte favorita! Quem tem paciência de me ler, não esqueça de mim!

Obrigada e até logo!

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O filme perdido de Chaplin

Essa notícia merecia registro! Encontrar um filme do Chaplin por acidente... essas coisas não acontecem comigo! Leia abaixo, texto da agência de notícias Efe:

Filme de Chaplin é encontrado em lata comprada pela internet
Fita mostra o ator e diretor americano em um zepelim; internauta fará documentário sobre descoberta

LONDRES - Um internauta britânico se surpreendeu ao encontrar uma produção de Charles Chaplin dentro de uma lata para guardar filmes que comprou no site de leilões eBay por US$ 5.

Morace Park, da cidade de Henman, no sudeste inglês, ficou atônito quando seu amigo John Dwyer, ex-membro do Conselho Britânico de Classificação Cinematográfica, lhe disse que tinha achado um filme, talvez desconhecido, de Chaplin, diz a edição desta sexta-feira, 6, do jornal The Independent.

A filmagem, intitulada "Charlie Chaplin in Zepped", mostra imagens de um zepelim sobrevoando a Inglaterra durante a Primeira Guerra Mundial e Chaplin a expressar seu desejo de voltar dos EUA para a Inglaterra para dar seu apoio aos soldados. Segundo Park, é uma fita de 1916 destinada a apoiar os esforços britânicos na guerra (1914-1918).

O The Independent diz que Dwyer convenceu seu amigo a fazer um documentário sobre a descoberta, que já está em processo de filmagem e terá o nome de "The Lost Film Project".

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O crime do padre Amaro


Como grande admiradora da literatura clássica em língua portuguesa, sempre fico muito curiosa para ver os resultados de uma transposição dessas obras para as telonas. Neste mesmo blog, já dei um exemplo que – na minha opinião – foi bastante mal-sucedido (“O primo Basílio”). Vou continuar com Eça de Queiroz e o filme da vez é “O crime do Padre Amaro”. Este sim, um exemplo de como o cinema pode aproveitar toda a riqueza do texto de um autor como o português em questão. O filme compõe o cenário de um novo cinema mexicano e ganhou prêmios como o de melhor roteiro do Festival de Havana e foi indicado ao Oscar e ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro.


A história tem como pano de fundo toda a devassidão que pode haver na relação entre política, poder e religião (no fundo sinônimos). No entanto, o centro das atenções é o caso romântico e proibido entre o padre recém-chegado e a jovem sedutora Amélia. A produção mexicana acerta em cheio na escolha do protagonista Gael García Bernal. Ele personifica vários dos atributos que o autor havia desenhado cuidadosamente na trama desenvolvida no livro. Gael faz um Amaro charmoso (e como), atormentado e de caráter fraco, assim como deveria ser. O conflito entre a moralidade e a ardente paixão que Amaro sente é bem marcado pela interpretação do ator mexicano.


Um dos pontos altos da narrativa é o paralelo cênico que a inteligente direção de Carlos Carrera faz entre os símbolos sagrados e toda a “blasfêmia” ocorrida em nome de Deus. Há cenas em que Amaro e Amélia demonstram toda a força de sua atração física ao mesmo tempo em que são focalizados os santos no altar. Esse e outros jogos trabalham uma ironia e uma crítica sagaz. Colabora para tornar a crítica mais eficaz, a interpretação dos atores coadjuvantes do círculo da Igreja Católica. Esses personagens ricos – com destaque para o padre Natalio, adepto da teologia da libertação, feito pelo ator Damián Alcázar – traçam um perfil interessante das intrigas permanentemente presentes no seio da religião predominante (por enquanto) em países como Portugal e Brasil.


As perdas recorrentes – e, muitas vezes, inevitáveis – no momento da adaptação de livros para o cinema não incomodam tanto para quem teve contato com a obra. Ou seja, não chega a comprometes a fluência do drama em questão. Uma ressalva é importante. A Amélia do filme é muito diferente da do livro. Na película, fica difícil notar algum momento de hesitação ou conflito interno (presente em Amaro, como disse anteriormente). A jovem se joga de cabeça no romance proibido desde os primeiros contatos, ou seja, a essência puritana que seu nome suscita é jogada para escanteio.


O crime do padre Amaro é, acima de tudo, um grande filme. Com um tema que causa rebuliço e atores de primeira, o diretor soube jogar o jogo.



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Filosofia e cinema, topa?


Povo que gosta de cinema, uni-vos! Ainda dá tempo de aproveitar uma programação muito boa do Caixa Cultural. O centro cultural do centro do Rio está promovendo, desde maio desse ano, uma mostra que estuda a convergência entre cinema e filosofia chamada: “A história da filosofia em 40 filmes”. A programação completa (que inclui pérolas de Polanski, Win Werders, Bergman, etc) se constitui em um curso sobre o assunto e os filmes são exibidos às 10h30 dos sábados até fevereiro do ano que vem. Ao final da exibição de cada filme, os especialistas Alexandre Costa e Patrick Pessoa realizam uma palestra e explicam a relação entre o tema do filme e a filosofia.

Mesmo para quem não gosta de filosofia, vale a dica para aproveitar os clássicos e, o que é melhor, gratuitamente. As senhas começam a ser distribuídas às 10h. Confira o restante de programação:

MÓDULO 6 – Morte e finitude

17/10/09 - Paris, Texas | Wim Wenders

24/10/09 - O sétimo selo | Ingmar Bergman

MÓDULO 7 – História e violência

31/10/09 - Ricardo III | Al Pacino

07/11/09 - Macbeth | Roman Polanski

14/11/09 - Dogville | Lars von Trier

21/11/09 - Marcas da violência | David Cronenberg

MÓDULO 8 – O fascismo hoje

28/11/09 - M, o vampiro de Düsseldorf | Frizt Lang

05/12/09 - Taxi Driver | Martin Scorsese

12/12/09 - Apocalypse now | Francis Ford Coppola

19/12/09 - Laranja mecânica | Stanley Kubrick

MÓDULO 9 – Cinema e revolução

09/01/10 - O anjo exterminador | Luis Buñuel

16/01/10 - O encouraçado Potemkin | Sergei Eisenstein

23/01/10 - O homem sem passado | Aki Kaurismaki

30/01/10 - Nós que nos amávamos tanto | Ettora Scola

MÓDULO 10 – O cinema nacional e a interpretação do Brasil

06/02/10 - São Bernardo | Leon Hirszman

20/02/10 - Deus e o diabo na terra do sol | Glauber Rocha

27/02/10 - Brás Cubas | Julio Bressane

28/02/10 - Macunaíma | Joaquim Pedro de Andrade

Fonte: site do Caixa Cultural

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Meneios de opinião

PIAF


Frase resumo: O filme é todo de Marion Cotillard, sua atuação completa de corpo e alma é a força da película.


Ponto (s) positivo (s): Além da brilhante e espetacular atuação da atriz que dá vida à cantora francesa Piaf, a primeira etapa do filme é muito bem enredada. Uma história que é emocionante por si só, ganhou traços de obra de arte com as músicas de Piaf e uma fotografia linda.


Ponto (s) negativo (s): O principal problema é o tempo de duração:140 min. Em um determinado momento começa a se tornar cansativo e o roteiro perde o rumo. Começa a ficar melancólico demais, triste demais, enfim... longo demais. Acaba parecendo que os roteiristas forçaram a barra para fazer o cinema inteiro chorar, desnecessário.


Nota: 8


Opiniões (de outros): “É impressionante como Marion Cotillard se transformou em outra pessoa”. Marcos Nascimento (estudante de jornalismo)


EU OS DECLARO MARIDO E... LARRY


Frase resumo: Uma sucessão cansativa de baboseiras e piadas sem graça sobre o universo gay pelos olhos de um machista.


Ponto (s) positivo (s): Posso destacar as mensagens embutidas no roteiro sobre o valor da amizade e, no finalzinho, um discurso contra o preconceito contra os homossexuais. Isso com muita, mas muita, boa vontade.


Ponto (s) negativo (s): Quase todo o filme. Acredito que a principal função de um filme de comédia seja fazer rir e nisso “Eu os declaro marido e... Larry” deixa imensamente a desejar. É incrível como eles conseguiram unir tantas piadas rasteiras e bobas em um mesmo roteiro. Nem Adam Sandler (que eu adoro em alguns filmes) está engraçado, seu personagem é chato. Costumo dizer que os projetos em que ele se envolve ou são 8 ou são 80, ou seja, ele trabalha com os extremos ótimo e horrível. Este está definitivamente no status 8 (horrível).


Nota: 1,5


Opiniões (de outros): “Eu que costumo achar o Adam Sandler muito engraçado, desta vez prefiro até o ator que interpretou o amigo dele (Kevin James)”. Eduardo Silva (administrador de empresas)

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O contador de histórias


Eu não estava nem um pouco enganada. Acho que ando lendo as críticas certas, porque o filme é tudo o que eu esperava. “O contador de histórias” é emotivo, bem desenhado – apesar de fragmentado nas mãos de quatro roteiristas: Mauricio Arruda, José Roberto Torero, Mariana Veríssimo e Luiz Villaça, engraçado e de forte cunho social. Por esta última característica, o ótimo filme brasileiro recebeu um selo da Unesco. E, na minha modesta opinião, merece ganhar mais e mais prêmios. Até agora, “O contador de histórias” recebeu o prêmio de Melhor Filme no Festival de Paulínia e os três atores que interpretam o protagonista dividiram o prêmio de Melhor Ator, no mesmo Festival. Além do prêmio de Melhor Filme de Ficção, através de votação popular em Paulínia.


A narrativa se passa em Belo Horizonte, no final da década de 70, e conta a história de Roberto Carlos Ramos. No entanto, não se engane. Trata-se de um espetacular cinema de ficção. A licença poética é o grande mérito de diretor Luiz Villaça, ele consegue ser fiel aos fatos, sem abandonar a poesia e a sensibilidade do cinema, da obra de arte. Vamos à sinopse oficial: O filme mostra a vida de Roberto Carlos Ramos, hoje pedagogo mineiro e um dos melhores contadores de história. Criado na Febem desde os seis anos de idade, aos 13 anos ele conhece a pedagoga francesa Margherit Duvas, que mudou sua vida radicalmente.


Como todos sabemos, é difícil confiar em sinopses. Ou melhor, é quase impossível extrair alguma opinião de uma sinopse. Mas até que essa deu para o gasto. Só que o filme vai além do “baseado em fatos reais”. A maneira como o diretor utiliza os recursos cinematográficos para valorizar a imaginação de Roberto é muito interessante; é notável a forma como são empregados os closes, eles tornam a crueza das difíceis e dolorosas situações reais mais sutis; a atriz portuguesa Maria de Medeiros (que foi a namorada frágil e doce de Bruce Willis, em “Pulp fiction”) encarna um sotaque francês quase perfeito – algumas palavras ganham uma entonação bem engraçada – para interpretar uma pedagoga que tinha a ingenuidade e a bondade de que o mundo precisa cada vez mais e o menino que encarna o protagonista aos 13 anos (Paulinho Mendes) é muito talentoso.


A história da vida de Roberto Carlos Ramos é apaixonante, mas constitui uma exceção ao absurdo que vivemos com o abandono de crianças pelas ruas desse país. O fracasso de todos os órgãos públicos destinados a cumprir os direitos humanos no Brasil é mais do que óbvio. A cena em que essa ideia é trabalhada é brilhante, por sinal. Com a colaboração de Malu Galli, que personifica a figura das várias educadoras que passaram pela vida do mineiro com a inevitável dor do fracasso estampada nos seus olhos. "O contador de histórias" incorpora também um elemento documental ao inserir a narração em off do próprio protagonista e em sua aparição, na sequência final. Não é uma produção irretocável, talvez seu final deixe um pouco a desejar. Principalmente com relação ao rapaz que interpreta Roberto adulto (Cleiton Santos). As poucas cenas em que ele aparece destoam do restante do filme. No entanto, essa pequena queda no ritmo não tira os méritos da película. Reflexão e sorrisos não vão faltar.


Bisous à tout le monde...

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A função do cinema

Essa é uma discussão histórica e sem fim. Qual seria, afinal, a função do cinema. O puro entretenimento “despretensioso”? A educação de seu público? Estaria a serviço de ideologias embutidas? Ou seria a arte pela arte? Todo esse questionamento não se restringe ao cinema, passa pela arte como um todo, como sabemos. A minha opinião é simples e passa longe de palavrórios teórico-político-social-científico. Esse imbróglio envolve os conceitos realidade e ficção, acrescidos de outros rótulos como: comédia, aventura, romance, drama, ... Acredito que o importante seja tocar o espectador. Fazer com que a obra que se reproduz com a ajuda de aparatos e habilidades técnicas se solte da tela do cinema (ou da televisão) e alcance a emoção daquele que está assistindo.

O maior mérito de qualquer arte é movimentar as emoções. Meu diagnóstico para um bom filme é de acordo com as sensações que ele me provoca (ou não). É inerente ao cinema ser sensacional! Se for para dar uma chacoalhada na nossa visão social, que seja. Ou para fazer-nos rir dos problemas, e abstrair toda nossa tensão diária. Ou mesmo para nos fazer chorar de emoção com uma história que não é a nossa, mas poderia ser. E por aí vai. Muitos vivem intensamente seus dilemas pessoais, mas esquecem até mesmo de se emocionar com eles. A coisa piora quando se trata de outra pessoa. A obra cinematográfica, quando olhada com atenção pode sensibilizar, ensinar, encantar, chocar,...

É importante fugir de patrulhas de todo o tipo, sejam ideológicas (termo criado por Cacá Diegues), ou sejam estéticas. Estamos falando de obras de arte e para arte não pode haver amarras. Minha única ressalva é aos filmes que não envolvem o essencial de uma obra de arte: o genuíno sentimento.

Nota: O que motivou essa elucubração, além da minha própria reflexão sobre a questão, foi a publicidade criada em torno de “O contador de histórias”. Que parece (ainda não assisti, mas pretendo) ser daqueles bons filmes que conseguem unir importantes discussões sociais – como a inexistência de políticas publicas eficazes para menores abandonadas nos últimos anos – com um olhar arguto sobre a interioridade de uma criança. Essa é uma forte vertente do cinema brasileiro e isso não pode ser abandonado. A união de duas importantes funções torna nossos filmes “documentos da emoção”.

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