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Desenhos animados consolidam uma tradição cinematográfica de gente grande


Sempre gostei de assistir desenhos animados na televisão. Mesmo atualmente, aos 24 anos, prefiro um bom desenho a quase todo o restante da grade de TV aberta no Brasil. No entanto, em relação ao cinema, sempre vi a animação como um aspecto secundário da sétima arte. Foi aí que me enganei. A evolução dos longa-metragens de animação nos últimos é incrível e tem nos dado filmes com uma sensibilidade incomparável.

A riqueza da linguagem e o apuro técnico cada vez mais sofisticado fornece a estas obras o status de arte superior (além do inquestionável poder comercial). A empresa toda-poderosa deste setor é historicamente The Walt Disney, o gigantesco conglomerado de mídia e entretenimento, fundado em 1923. São incontáveis as obras de sucesso deste estúdio e é necessário ao menos lembrar algumas que estão na história de cada um, cinéfilo ou não, que ler este texto: "Branca de Neve e os Sete Anões", "Cinderela", "Fantasia", "Alice no país das maravilhas", "Peter Pan", "A bela adormecida", "Aladdin", "O Rei Leão",...



No entanto, nos últimos 14 anos quem domina o setor é o grupo empresarial - ligado à Disney e depois comprado por ela - criado por George Lucas, em 1986, através da Lucasfilm, com apoio financeiro de Steve Jobs, a Pixar Animation Studios. A Pixar surgiu arrasadora com o sucesso absoluto de crítica e bilheteria Toy Story (1995). Junto com a Dreamworks, a força das produções em desenho animado da Pixar presionou a Academia para a criação do Oscar de Melhor Filme (longa-metragem) de Animação*. A primeira participação desta categoria na maior cerimônia de premiação do cinema mundial ocorreu em 2002, tendo como vencedor o adorável ogro Shrek (Dreamworks).

De lá para cá, a Pixar "dominou geral" e venceu seis das 10 premiações. Os vencedores são os arrasa-quarteirões: "Procurando Nemo", "Os incríveis", "Ratatouille", "Wall-E", "UP-Altas aventuras" e "Toy Story 3". É claro que não pretendo limitar as boas produções cinematográficas de animação aos filmes da Pixar, mas há de se convir que a empresa mudou a forma como assistimos desenhos e ampliou muito o alcance destas obras.

Mas neste papo de gigantes norte-americanos, quero salientar a existência de um filme inteligente, doce e inesquecível, mas diferente. "A viagem de Chihiro" é uma animação japonesa de 2001 dirigida por Hayao Miyazaki e produzida pelo Studio Ghibli. Vencedor do Urso de Ouro, no Festival de Berlim de 2002, e do Oscar de Melhor Animação em 2003, "A viagem..." representa uma estética peculiar - para os ocidentais - com uma narrativa complexa e acurada, mas absolutamente universal e encantadora. (Detalhe importante, em vários países do mundo, este filme foi distribuído adivinha por quem? Walt Disney Studio!).



E ainda quero reservar um espaço destacado para falar de "Wall-E" e "Toy Store 3". O primeiro é um caso à parte na história recente do cinema. A desconfiança que senti nos primeiros minutos de quase total silêncio se dissiparam rapidamente. Fiquei surpresa ao me encantar gradativamente com roteiro e direção, cujos responsáveis foram Andrew Stanton e Jim Reardon, de extrema qualidade. É um filme incrível, emocionante, baseado em uma premissa difícil de se comprar à primeira leitura**.

O fenômeno "Toy Story 3" é outro caso interessante. O terceiro filme de uma franquia bem-sucedida se saiu ainda melhor do que seus pares, acontecimento raro no que diz respeito a sequências. Um filme "de criança" que fez muito marmanjo chorar com um forte apelo à nostalgia que sentimos quanto às vivências da infância e as mudanças de prioridade com o passar do tempo.





Esta postagem vem a calhar ainda porque este ano o festival brasileiro Anima Mundi completa 20 anos de existência. O Festival Internacional de Animação ocorre anualmente no mês de julho no Rio e em São Paulo e trata-se do maior da América Latina. Durante o festival são exibidos curtas, médias e longas-metragens, seriados e comerciais. As linguagens narrativas e técnicas são as mais variadas e o festival não exige nenhum critério específico.

Assista ao trailer do vencedor do último festival:



*Na cerimônia do Oscar, contamos com a premiação de Melhor Curta-Metragem de Animação desde 1932. Predominam na lista de vencedores desde então a já citada Disney, a Metro-Goldwyn-Mayer (Tom & Jerry) e a Warner Bros.

**Em 2700, a Terra não é mais habitada por humanos, que agora vivem na nave Axiom. O planeta foi transformado em um imenso depósito de lixo, e os homens ainda tinham a esperança de conseguir limpar nosso mundo quando decidiram contratar a empresa Buynlarge Corporation, encarregada de limpar a Terra. Para isso, enviou milhares de robôs programados para coletar o lixo. Mas essas máquinas não deram conta da tarefa e começaram a pifar, até que apenas uma restou, Wall-E. Todos os dias, sua rotina é catar o lixo que encontra pela frente a fim de cumprir a improvável tarefa de limpar o planeta. A vida do robô toma um novo rumo quando uma nave pousa na Terra e dela sai Eva, uma nova robozinha.

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Aproveite a Internet: Filmes completos no YouTube


O YouTube vai muito além dos cinco segundos intermináveis que representam aquele pedaço de publicidade que não conseguimos ignorar. Assim como na Internet como um todo, neste site existe uma quantidade de informações ad infinitum, é só procurar. Este post é um serviço de utilidade pública. Não falarei nenhuma grande novidade, mas é uma coisa importante a se ressaltar.

Os milhares de recursos dos quais a Internet dispõe muitas vezes são subutilizados por nós, que passamos algumas horas nas mídias sociais e outras tantas fazendo absolutamente nada. Mas como navegar na web - expressão um tanto século XX - é uma das coisas que mais fazemos durante os momentos de folga, vamos tentar aproveitar um pouco melhor nossos preciosos minutos. Gosto de usar o termo "otimizar nosso tempo".

No YouTube é possível assistir a diversos filmes na íntegra. Uma busca simples como "filmes clássicos completos" nos fornece uma lista de obras-primas da história do cinema, principalmente para aqueles que gostam de estudar a área e querem conhecer filmes diversos sem precisar baixar ou comprar todos. Esta que vos escreve assistiu obras como "Viagem à lua" (George Méliès), "O gabinete do Dr. Caligari" (Robert Wiene) e "Farenheit 451" (François Truffaut) desta maneira e com ótima qualidade.

Um exemplo do que digo, nosso vencedor da Palma de Ouro "O pagador de promessas" completo!



Não vou destrinchar a questão de direitos autorais, mesmo porque acredito que a exibição particular desta maneira não vai deixar nenhum realizador do cinema na miséria. É apenas nova uma forma de disseminação de cultura, na minha opinião, quando não se trata de comercialização. Mas há algumas coisas que são de domínio público e não há porque sentir dor na consciência.

No entanto, muitos filmes relativamente recentes também estão disponíveis. Não digo que todos vão conseguir achar qualquer filme que vier à cabeça, mas há muita coisa interessante para ser vista. As buscas podem ser feitas usando seu estilo de filme favorito, "filmes suspense completos", por exemplo, e identificando o tipo de áudio favorito, "filmes completos legendados", o que é o meu caso. Então, sigam em frente. Vamos desbravar este emaranhado de informações, que pode ser tão inútil quanto maravilhoso!

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O desgaste da trilha sonora de "O fabuloso destino de Amélie Poulain"


"O fabuloso destino de Amélie Poulain" tem uma das melhores trilhas sonoras do cinema moderno. Muitos vão dizer que estou exagerando, mas nem ligo. Eu realmente acredito que as doces composições do francês Yann Tiersen - que também é responsável pela seleção musical de "Adeus, Lênin" - integram uma seleção incrível, que emociona de verdade.

Dito isto, vem a TV Globo e usa a canção "Comptine d'un autre été: l'après-midi" (em tradução literal, "Rima de um outro verão: à tarde") como tema de uma personagem da pior novela dos últimos tempos: "Morde e assopra". Só para relembrar, trata-se da narrativa que misturava dinossauros, robôs, caipiras e paleontólogos em um emaranhado de tosqueiras e situações nonsenses que foi exibida em 2011 (e precisou ser encurtada porque ninguém assitia).

Mas não para por aí. Entre Big Brothers e Globo Esporte, já ouvi a valsinha da Amélie (La valse d'Amélie) tocando fora de contexto diversas vezes. Não estou dizendo que é proibido o uso das músicas - quem sou eu, afinal -, mas apenas confessando que sempre penso: "WTF?". Pode ser frescura, mas que me dá nervoso, isso dá...

A quem não assistiu ou não lembra, segue o vídeo com as músicas citadas:



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Brasil: o país da cultura em segundo plano


Duas notícias recentes chamam a atenção para a maneira como a cultura - no caso da abordagem do Cinemusique, especialmente o cinema - é tratada no Brasil. Em abril deste ano, vimos uma matéria de O Globo falar sobre a reconstrução super lenta pela qual passa o Centro de Artes da UFF, local onde vivenciei o crescimento da minha paixão pelo cinema e pelos filmes fora do circuito estreito que costuma passar pelos cinemas de Niterói, onde moro.

A reforma do espaço começou em 2009 e tem previsão para terminar apenas em 2013. Ou seja, são quatro anos de obras em um espaço relativamente pequeno. Neste mesmo período, um incontável número de condomínios brotou no território da cidade inchando seu trânsito sem nenhum tipo de planejamento ou organização. Esta demora seria justificada por causa de uma "mina de água encontrada no subsolo do terreno", afirmou o reitor da UFF, Roberto Salles, em entrevista ao Globo. Sério? Pra mim, não.

Com a tela de projeção ao fundo, vemos o triste cenário do atraso nas obras do Cine Arte Uff
Com a tela de projeção ao fundo, vemos o triste cenário do atraso nas obras do Cine Arte Uff
Nem vou entrar no mérito do investimento público e na comum morosidade de toda e qualquer obra que não tenha fins exclusivamente relacionados a eleições e a vantagens políticas diretas. E espero de todo o coração que o (novo) prazo seja cumprido. Mas acho este tópico eficaz no que diz respeito a ilustrar como a cultura sempre fica em segundo plano.

Ainda no mês de abril, mais uma notícia ruim para o universo do cinema - e para os cinéfilos e geral -. O cancelamento do Festival de Paulínia, cujas edições desde 2008 vinham consolidando um importante polo para a produção de cineastas brasileiros e para a discussão da sétima arte, é lamentável. A primeira coisa que vem à cabeça é o amadorismo que tanto assombra o mercado de cinema nacional. Dói pensar assim, mas ainda somos amadores nesta área. Não digo isto dos criadores e artistas envolvidos que vêm provando que podemos dialogar em pé de igualdade com qualquer país. Mas sim da estrutura comercial.

A justificativa oferecida pelo prefeito da cidade paulista, José Pavan Jr. (PSB), é de que é necessário conter despesas. O dinheiro que seria investido no festival será revertido a causas sociais. Sério? Reitero, para mim, não. Existe ainda o problema com os patrocínios, pois a instabilidade do compromisso das empresas do país com a arte em geral, quase sempre vista como marginal e menos importante, é evidente. Temos ainda a complexa e polêmica Lei do Audiovisual (Rouanet). A lei (ligeiramente burra em seu texto e execução) carece de simplicidade e objetividade.

Fazer cinema do Brasil continua sendo ir contra a maré. Este é apenas um reflexo da maneira como a cultura em geral é vista no país: um apêndice. Um enfeite que tem que surgir do lixo com força sobre-humana, fazer sucesso fora do país para depois, talvez, ser valorizada por aqui. Afinal de contas, o desleixo com a cultura é um problema cultural.

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Sobre os rótulos


Tenho problema com rótulos. Rótulos destroem nosso senso de observação ao falsamente facilitar a opinião que formamos sobre as coisas (ou seja, só pode funcionar bem no supermercado mesmo). No que diz respeito à arte, os rótulos atrapalham... e muito. Por exemplo, quando termino de assistir um filme que adoro e alguém me questiona: “qual o tipo de filme?” Chega a dar uma dor no coração. E para terminar de me apunhalar, depois de ouvir minha sofrida resposta carimbada (romance, drama, comédia) recebo a réplica: “não gosto desse tipo de filme”. Como assim?

Cinema é mais do que isso. É sensação, identificação, trilha sonora, fotografia, roteiro, locação, figurino, atuação... A quantidade de profissionais e áreas envolvidos nesse trabalho é imensa. Não dá para restringir desta forma. Acredito que quando é muito fácil determinar a que tipo de filme pertence uma produção de cinema é porque ela é limitada. Procura uma fórmula fácil para vender e agradar aos aficionados (vide 99% dos filmes de terror).

Agora, o pior dos rótulos é aqueles que diz respeito à baixa auto-estima cinematográfica do brasileiro. Essa que resolve enquadrar todas as produções realizadas no Brasil em um mesmo “balaio”. Uma forte irritação sobe pela minha espinha dorsal quando ouço afirmações do tipo: “Ai, não consigo gostar de filme brasileiro. Assisti Cidade Baixa (por exemplo), só tem sexo e palavrão”. Ok. Primeiro ponto, todos têm direito a gostar ou não do filme que for, mas toda a produção de um país não pode pagar pelo pouco conhecimento que cada um tem do próprio cinema. Segundo, sexo e palavrão está presente de forma ostensiva em grande parte do cinema em todo o mundo (o que existe é uma “maquiagem” melhor e uma dublagem ou legenda muito ruim). Terceiro e último ponto, os elementos de um filme (seja sexo, humor, drama, sustos) podem ser mau ou bem utilizados. Desqualificar um filme por uma característica natural é extremamente bobo, limitado.

Cinema é muito mais do que isso. São pessoas com vocação artística (ou não) que colocam seus corações e mentes a serviço de uma obra de arte. É importante ressaltar que estou falando do cinema de verdade e não de oportunistas. Um trabalho que leva a sério o público, os valores profissionais (ou artísticos, se for melhor), as visões de mundo. Quando nos postamos em frente a um telão, ou à televisão, ou à tela de computador, para vermos uma produção cinematográfica, precisamos nos entregar um pouco ao momento. Abrir a possibilidade de sermos conquistados por algo que vai além de duas horas de exibição, que influencia nosso desenvolvimento como seres pensantes e vivos.


Desolé...

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Detalhes interessantes

Um pouco mais de curiosidades. Desta vez um pouco mais interessantes e com uma fonte mais confiável. Sempre a falta de tempo me impede de escrever meus frequentes devaneios. Mas resisto bravamente às insalubres condições em que vive uma estudante de jornalismo e estagiária (com a profissão em crise) e logo I’ll be back! Importante, fiz uma pequena pesquisa sobre um movimento puritano que fui conhecer através destas curiosidades abaixo.

1) Hollywood, a meca do cinema, foi fundada em 1877 e teve seu nome tirado da fazenda da família Wilcox, que habitava a região. Foi transformada em cidade em 1903 e em 1910, com 4 000 habitantes, era anexada a Los Angeles.

2) A expressão "sétima arte", a partir de então utilizada para designar o cinema, foi criada em 1912 pelo italiano Ricciotto Canuto.

3) Os dois primeiros cinemas do mundo foram abertos nos Estados Unidos. Em outubro de 1895 era inaugurado o Atlanta, em Atlanta, na Geórgia. E em abril de 1902, Los Angeles inaugurou o Electric Theatre.

4) ... E o Vento Levou, de Victor Fleming, de 1939, foi o filme mais visto em todo o mundo: cerca de 120 milhões de pessoas assistiram à história de amor protagonizada por Clark Gable e Vivian Leigh.

5) O filme que usou maior número de figurantes em toda a história do cinema foi Gandhi, 1982, de Richard Attenborough: mais de 300.000. [Sem dúvida esse é um ótimo filme]

6) O verdadeiro nome de John Wayne (1907-1979) era Marion Michael Momson. Entre 1927 e 1976, o ator estrelou exatos 153 filmes - 142 dos quais fazia o principal papel.
7) O filme que teve mais beijos em toda a história do cinema foi Don Juan (dirigido por Alan Crosland, em 1926). Durante uma hora e cinqüenta e um minutos de duração da história, os atores John Barrimore, Mary Astor e Estelle Taylor beijavam-se 127 vezes (!!!).

8) Hedy Lamarr teve antecessoras notàveis. Afinal de contas, as primeiras cenas de nudez no cinema já começavam a acontecer a partir de 1916. As pioneiras na ousadia foram as atrizes Anne Kellerman (em Daughter of The Gods) e June Capríce (em The Ragged Princess). Em 1936, o Códígo Hays** baniu a nudez das telas.

9) O primeiro cinema a ser inaugurado em Hollywood foi o Ydyl Hour Theatre, em 1911. Funcionava numa loja localizada na Hollywood Boulevard.

10) O enorme letreiro contendo a palavra Hollywood - um dos mais importantes cartões-postais da cidade - começou a ser erigido em 1923. inicialmente, a mando de uma companhia de imóveis do qual Mack Sennen fazia parte, foi colocada a palavra Hollywoodland, o nome de um loteamento que se instalaria nas imediações. Com a corrosão do tempo, ficou apenas Hollywood.

11) Charles Chaplin ganhava nos tempos da Keystone apenas 175 dólares por semana. lnsatisfeito, trocou, em 1915, de estúdio e foi para a Essanay, onde passou a receber 1 250 dólares semanais, mais bônus. Um ano depois, já na Mutual, passou a ter um salário semanal de l0.000 dólares que, com os bônus, podia chegar a 150.000 dólares mensais. Uma fortuna na época.

12) Ganhou tanto dinheiro que, em 1919, em companhia de Douglas Fairbanks, Mary Pickford e David D. Griffith, fundou a United Artists Corporation. No novo estúdio realizou, em 1923, o filme A Woman of Paris, com Edna Purviance, em que, por pouco tempo, abriu mão de seu eterno vagabundo Carlitos. Além de dirigir, fez apenas um pequeno papel, sem os trajes do personagem que o consagrou.

13) Charles Chaplin resistiu bravamente ao cinema falado e, apenas treze anos depois de seu surgimento, o cineasta deu voz a seus personagens em O Grande Ditador/The Great Dictator, de 1940.

Fonte: www.webcine.com.br

** “O nu completo não é admitido em hipótese alguma. A proibição é também para o nu de perfil e toda visão licenciosa de personagens do filme. É igualmente proibido mostrar órgãos genitais de crianças, inclusive de recém nascidos. Orgãos genitais masculinos não devem sobressair. Caso um tema histórico exija uma calça justa, a forma característica dos órgãos genitais deve ser suprimida, na medida do possível. Os órgãos genitais da mulher não devem aparecer, nem como sombra, nem como sulco. Toda alusão ao sistema capilar, inclusive as axilas, está proibida”.
Trechos do Código de Hays.

Para aprovar o código na sociedade americana, Will Hays - advogado, membro da Igreja Presbiteriana e amigo íntimo do Presidente dos Estados Unidos Herbert Hoover, se empenhou em mobilizar os adeptos do catolicismo, representados por Martin Quigley. Assim, dez milhões de católicos assinaram um manifesto em favor da Legião da Decência, na esperança de livrar a sociedade americana “da grande ameaça da lascívia no cinema”. Um mutirão ecumênico - envolvendo vinte milhões de membros das igrejas protestantes e ainda organizações judaicas e outras organizações da sociedade civil - ajudou a resgatar “a tradição da moral americana”.

Enquanto isso, a indústria do tabaco estreava o merchandising no cinema, pagando aos produtores por cada minuto de película em que os protagonistas aparecessem fumando.

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18 curiosidades da história cinema

No melhor estilo entretenimento moderno, a falta de tempo para uma coisa melhor me fez apelar para curiosidades de origem duvidosa e de interesse questionável. Mas vale a pena ler... Algumas me fizeram rir bastante!!!


Stalin adorava os musicais.

Por isso promoveu a rodagem destes no cinema soviético e inclusive compôs uma canção para um deles "o chiqueiro e o pastor", a letra dizia: "Uma canção alegra o coração que alguma voz arrebatou. Todos os povos grandes e pequenos adoram esta melodia; enquanto as grandes cidades cantam a canção."


A película mais longa da história.


Tem um titulo que explica tudo: "Tratamento contra a insônia", dura 87 horas, isto é, mais de 3 dias e meio. O filme consistia numa única seqüência na qual se via o poeta Lee Groban lendo uma composição de 3.400 paginas. Só foi projetada na íntegra duas vezes e ninguém conseguiu ver o filme todo.


Sigmund Freud só não foi o roteirista mais bem pago da história porque não quis.


Em 1933 um produtor lhe ofereceu um cheque em branco para que lhe contasse as psicopatias de seus pacientes, com a idéia de que nelas podiam ter escondidas muitas boas películas, Freud recusou por que lhe pareceu pouco ético.


A atriz mais assassinada.


A francesa Paula Maxa, especializada em papéis de vítima no cinema mudo foi assassinada em toda sua carreira um total de 358 vezes, muitas delas de forma horrível. Em alguns filmes chegou a fazer mais de um papel com o intuito de ser assassinada várias vezes.


Bruce Lee foi o único ator com clones.


A estrela das artes marciais conseguiu protagonizar 4 películas depois de sua prematura morte. Para exprimir a lenda ao máximo as duas grandes produtoras de Hong Kong rodaram várias dezenas de películas protagonizadas pelos clones do ator aos que batizaram com nomes como Bruce Le, Bruce Li, Bruce Liu... alguns lembravam o famoso lutador, mas outros não pareciam nem um pouquinho, tinha um que nem era chinês, inclusive era loiro (!).


Alguns gangsters foram grandes cinéfilos.


Al Capone foi ao cinema ver Scarface - A Vergonha de uma Nação (1932 - Howard Hawks) várias vezes, filme de gangsters baseado em sua vida. E John Dillinger foi crivado de balas pelo FBI quando saia de uma sala de cinema que projetava uma película muito apropriada para "o Inimigo publico numero um" 1934.


O único filme rodado uma única vez.


Seu titulo era "O homem perseguido por um ovni", a maior parte do filme era composta por partes de outras películas, de forma que nem o homem nem o ovni eram os mesmos em quase nenhuma cena. A história era tão tosca que ao final da exibição o próprio diretor queimou a fita.


Mudanças de Sexo.


Kenji Mizoguchi, mestre do cinema japonês começou sua carreira como Oyama, nome que recebem os homens especializados em interpretar papéis de mulher. Curiosamente no japão existe um gênero chamado Takarazuka no que só atuam mulheres e no que, em alguns casos, também interpretam papéis masculinos.


Gorilas jogadores.


Na primeira película de Tarzan os gorilas eram na realidade uma equipe de futebol americano disfarçado para a ocasião, o Santa Mônica Football Clube, para ser exata.


O filme com mais palavrões.


"Scarface, a força do poder" (1983 - Brian De Palma), remake de filme homônimo de 1932 realizado por Howard Hughes, é o filme com mais palavras malsonantes, um total de 203, dando uma média de um palavrão a cada 29 segundos. "Fuck you, son of a bitch", na boca de Tony "Montana" é música. Não é um filme brasileiro, viram!


A primeira película sonora.


O potencial da nova tecnologia foi mal aproveitada no primeiro filme, a parte falada do filme "Jazz Singer" constava de apenas 3 cenas que não passavam de 10 minutos, naquele tempo os produtores acreditavam que ninguém poderia agüentar um filme com mais de uma hora de diálogo.


Cinema que cheira.

Em 1959 estreiou em Los Angeles "Scent Mistery" um filme de intriga no qual a chave do mistério estava na colônia do assassino, por isso foi utilizado uma nova tecnologia em sua projeção, o Arorama, que consistia numa máquina que aspergia toda a sala com uma fina camada de pó que simulavam os cheiros do filme. O problema é que já à metade da exibição tinha tanto pó no ar que ao final ninguém sabia que cena do filme estava cheirando.

Cinema Negro.


Na Hollywood dos anos 70 nasceu a moda da Blaxploitations, películas protagonizadas inteiramente por atores de negros. Teve um drácula negro, uma lolita negra e inclusive uma versão do Mago de Oz na qual estreava um rapazinho ainda negro: Michael Jackson.


A película mais cara.


É a versão russa de Guerra e Paz dirigida por Sergei Bondarchuck em 1968. Calculando o custo da inflacão, o filme precisou de um investimento de 560 milhões de euros.


O ator que mais papéis interpretou num mesmo filme.


Não, não é Eddy Murphy, foi o britânico Rolf Leslie, que encarnou 27 personagens diferentes em "Sisty years of a Queen". Seguem-lhe de muito longe o espanhol Paul Naschy com seus doze papéis no "Aullido do diabo" e Alec Guinness que fez 8 papéis, um deles feminino em "Oito sentenças de morte".


Francis Ford Copola


Começou sua carreira sob um pseudônimo dirigindo "Nudies", filmes eróticos. O mais famoso é "O bordel da montanha" onde Drácula, Frankenstein e o Homem lobo exercem seus poderes num prostíbulo. (Caraça! Muito hilário isso aqui!)


O autentico ganho...


... do cinema já não estão nas entradas, se não em todo o resto, pipocas, refrescos e demais guloseimas produzem 45% de seus rendimentos.


Para fechar com chave de ouro:


Casais Impossíveis.


O filme Alien vs Predator 2 traz à lembrança um gênero meio esquecido, o Crossover, que consiste em juntar dois mitos numa mesma história. Assim então o crossover já teve casais dos mais “interessantes”, tais como Drácula vs Frankenstein, Drácula vs Billy the Kid e inclusive Bruce Lee vs Emmanuelle um despautério onde não aparecia nem o Bruce Lee e nem a Sylvia Kristel e que misturava artes marciais com pornosoft (hahahahahahahahahaha).

Fonte: www.mdig.com.br

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Liberte sua mente


Diante do fenômeno Matrix, darei o braço a torcer. Porém antes devo explicar o motivo de minhas restrições com relação à saga de maior sucesso dos irmãos Wachowski. Há algum tempo tentei assistir Matrix e, assim como quando vi Star Wars, acabei dormindo. É raro que algum cine-fanático como eu durante a exibição de filmes da "amplitude cinematográfica" desses dois. Minha conclusão foi: "essa definitivamente não é a minha". E deixei de lado. Mas não por muito tempo.

Soma-se aos contras (na formação de minha opinião a respeito do filme), o fato dele ser um marco no trabalho com um gênero narrativo rocambolescamente digital-futurista. Gênero do qual eu fujo, quase sempre.

No entanto, sou uma pessoa que gosta de se despir de preconceitos. E seguindo essa linha de pensamento, de cunho auto-meliorativo, tenho como resolução assistir todas as minhas cismas mais de uma vez. Tenho concretizado essa vontade com algumas delas.

Matrix é o filme da vez; revisitei e gostei. Para isso, tive de alcançar um olhar diferenciado, mais atento e mais receptivo. Para alguém que pensa como eu, isso é definitivamente necessário. Diria primordial; há de se abstrair. Afinal estamos falando de uma trama de imaginação bem fértil, mas que não se limita a explodir tudo na tela de forma desatinada. Os artifícios de efeitos visuais vêm para complementar e sustentar esse enredo insólito.

Um dos quesitos que mais me agradou na película foi que, em contraposição a outras do mesmo tipo, as explicações teóricas oferecidas são boas. Por serem extremamente coesas e coerentes (na medida do possível), não precisa-se ler um manual "nerd" para compreender a história. Vemos habitualmente uma série de trabalhos de mesmo tom sem um esclarecimento convincente. Ficção é ficção, só que para ser envolvente temos que passar a acreditar nela. Pelo menos durante o tempo em que nos propusemos entregar nossos "corações e mentes" (nome de documentário de Moore) ao filme.

Dentre os vários pontos positivos estão os figurinos, as boas atuações (que poderiam tender à canastrice, por conta do tema), as cenas de luta realmente empolgantes (detalhe: não gosto dos típicos "filmes de luta"), além dos pontos tocantes a limitações puramente humanas e atemporais. O mote de luta pela liberdade - presente em outras produções de Larry e Andy Wachowsky, como "V de Vingança" - é focado de maneira atraente. Freedom for your mind. E o talento de Lawrence Fishburne (em um personagem cheio de significados paralelos, muito interessante), como Morpheus, é o mais importante vínculo com a lógica narrativa.

Pode-se dizer que a parte que menos gostei foi o bizarro ritual de passagem, a libertação de Neo (Reeves) do universo de matrix. Até entendi a que ele serviu e porque ele era do jeito que era. Mas ninguém pode negar: é nojento.

Enfim, acho que uma das coisas mais pertinentes numa contrução estilo Matrix é a verossimilhança. E a idéia de vivermos em um mundo falso e de sermos subjugados por uma força de maior instância (no caso do filme, experiências tecnológicas nossas mal-sucedidas) não nos é tão inimaginável. Aliás, essa é uma possibilidade na qual penso frequentemente. Tá bom, também não vou exagerar nas minhas viagens filosóficas, mas o filme dá essa deixa, sem dúvida.

Para quem quiser uma análise mais acadêmica e quase completa clique aqui

Grata, s'excuser pour l'excès de digression. E por favor apaguem a luz.

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Com açúcar, com afeto...

Preciso fazer meu primeiro post somente em primeira pessoa. Quero ter um contato mais íntimo com esse meu pequeno (ou não) projeto. Então lá vai.
Antes de fazer as coisas sempre me pergunto os motivos que tenho. Faço muitas ponderações para não me trair, não irromper em ambientes inóspitos e/ou vazios.

Primeira pergunta: Por que fazer um blog? Algumas das respostas possíveis são: exibicionismo, divulgação de atividade, falta do que fazer, gosto excessivo por modernidades, ou... não sei, algo tão subjetivo que eu não saberia explicar. Fiz uma auto-análise e acho que descobri a resposta mais adequada (ou pelo menos a minha predileta). O negócio é que eu gosto, busco e necessito da escrita. Por quê? Não sei. E creio que não escrevo um livro (ou algo mais elaborado) porque não tenho grana, sou preguiçosa e/ou não sou tão culta assim (sem falsa modéstia, é só a verdade). O blog surgiu-me como uma solução nesse emaranhado de frustrações. Gente, eu escrevia poesia e escondia no ensino fundamental... isso daqui já é um grande avanço. Ah, espera aí, agora tenho que refutar os motivos indesejáveis. Exibicionismo - isso não é mesmo, e penso que quem me conhece sabe que não sou do tipo exibicionista... sou insuportavelmente tímida, principalmente em relação aos meus textos. Mas gosto deles, só quero descobrir um dia, se realmente eu sei escrever. Além da minha sincera dúvida sobre a efetiva leitura desses textos... será que quem entra lê? Será que alguém entra? (risos) Como me exibiria então? Seria uma exibição para si próprio... Divulgação de atividade - Não acho o blog um meio credível o suficiente para servir como uma boa plataforma de profissionalismo. É sério. Podem até não concordar comigo, mas acredito que seja algo feito para que aqueles que gostam demais de escrever não explodam de textos guardados no coração, na cabeça e na gaveta. Pelo menos o meu tem essa função (no entanto, se alguém gostar e quiser me dar um emprego, não vou me incomodar). Ultimamente realizei a leitura de alguns blogs (inclusive o de um cara que é uma comédia, sei que opinião é algo extremamente pessoal, mas trabalhar argumentativamente com uma pretensa qualidade revolucionária do humor em "Não é Mais Um Besteirol Americano" é como comparar os talentos cômicos de Chaplin e Didi e isso para mim é inconcebível, que me perdoe que gosta do Didi ou de escatologia). Essa vasta leitura "bloguística" me fez observar: "caramba, tem um monte de gente dizendo coisas interessantes e bem escritas", aos poucos vou me despindo dos preconceitos "internéticos". Quem sabe daqui a um tempo mudo de idéia e começarei a acreditar que as pessoas me lêem e levam a sério. Falta do que fazer - Ah, mas isso não é mesmo. Faculdade, estágio, tarefas caseiras, leituras atrasadas, etc, não me dão trégua. Gosto excessivo por modernidades - Custo a me acostumar com elas. Tenho até um pouco de medo. Mudanças velozes demais me dão vertigem.

Agora a segunda pergunta: por que de cinema? E música? Aí a resposta é bem mais simples. Porque esses são meus delírios prediletos. São meus vícios saudáveis. Cinema é vivência; ou melhor, é vida. As coisas que escrevo a esse respeito são mais do que intenção de parecer inteligente ou interessante. São sentimentos. São sonhos. São a intensidade de uma mobilização que sou covarde para fazer na vida real, até porque não existe representação dessa vida real melhor do que o cinema. E, se a maioria das pessoas despreza a minha opinião sobre o que ocorre nas telas, fora delas as minhas divagações tem a dimensão de um grão de areia (para os outros... para mim ela vale muito; mas entenda-se que isso não me incomoda tanto assim). Covardia... Taí, talvez isso seja a resposta para tudo. Música é bom demais para ser verdade. E ponto. Não todas, mas muitas delas fazem um bem inexplicável pra mim.

Com toda essa baboseira, quero que esteja claro que não vou escrever nada para aparentar uma sensibilidade maior do que a sua. É apenas o que sinto. E tento escrever isso da melhor forma possível, pode não ser tão bom assim, mas dá pro gasto. Quem gostar leia (e interaja, isso aqui também serve para isso; além de alimentar minha carência). Quem não gostar... leia outra coisa ou discorde/critique, só não me xingue por favor.
SE ALGUÉM REALMENTE FEZ ESSA LEITURA, ESSA FOI PARA VOCÊ: "COM AÇÚCAR, COM AFETO"

Grata, s'excuser pour l'excès de digression. E por favor apaguem a luz.

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Leve como um sonho bom, mesmo com temas densos


Demorei... tive muitos impedimentos antes de assistir "My Blueberry Nights". Perdi as exibições nos cinemas do Rio. Enrolada como sempre. Mas toda a luta, para acabar assistindo no cinema da UFF, em Niterói, valeu muito, muito, muito a pena. O filme é lindo. Esteticamente, o diretor consegue passar a impressão de que nos perdemos em um furacão de beleza e ardor emocional. Assim como é usual na obra de Wong Kar-Wai; é verdade que não assisti muita coisa, apenas "2046". Mas esse último é uma mostra significativa do que falo.

Um colorido diferente de muita coisa que se vê frequentemente... lindo. Cenas passam de maneira a dar tempo a reflexão, e refletimos, como se nos puséssemos no lugar das personagens. Que vão se desenhando, nos tendo como testemunhas apreensivas. A cantora Norah Jones, apesar de muitas expectativas negativas a seu respeito, não atrapalha a contrução. Ela é... como direi... linear. E juro que não estou me desfazendo. Só que como protagonista ela parece não sê-la. As tramas paralelas têm fortes candidatas a personagem central. Até porque essas coadjuvantes são muito boas. Eu já me sinto suspeita para falar de um filme que tenha a Natalie Portman, sempre sou só elogios. Tenho medo de ter me cegado para os defeitos de suas interpretações. Mas é difícil de enxergar esses pretensos problemas. Ela sempre me emociona.

Rachel Weisz se destaca também, sem todo o brilho da primeira, mas com um talento inegável. Além da aparição dramática maravilhosa de Arnie (David Strathairn), ex-marido da personagem de Weisz. Jude Law - Alfie, o Sedutor - nos dá mais uma demonstração de seu charme, com o papel de um carente e profundo dono de um café com mágicas "noites de torta de amora".
Já li críticas que comentam a falta de sentido da viagem de Elizabeth (Jones). Desde quando nossas atitudes intempestuosas têm explicação? Quem disse que conseguimos explicar aquilo que sentimos... seria melhor se ela tivesse ganho uma herança de um tio velho no interior? Ou que descobrisse que tinha uma irmã que nunca havia visto? Ou resolvesse fazer uma faculdade, onde as pessoas a humilhassem e usassem biquinis por toda parte??? Não. Não acho necessário uma atitude "coerente" nesse caso. A vida é incoerente. Nós o somos. O sofrimento o é.
E que aprendamos, assim como Elizabeth, que é melhor ser como somos. Independente do que o mundo exija de nós. O mundo do jeito que está não é exemplo para ninguém, se ele tivesse dado certo... quem sabe (s'excuser pour l'excès de digression - Desculpem-me pelo excesso de divagação). E por favor, apaguem a luz.

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Uma experiência para lá de visual... sensitiva

O FABULOSO DESTINO DE AMELIE POULAIN
Narrativa de ritmo doce e encantador. A forma como se sobrepõe cada parte da história é simplesmente irresistível. Personagens são descritos de forma deliciosamente divertida; e parte desse mérito fica com a pertinência do narrador, que tem destaque significativo na amenidade tocante sentida de maneira habitual no desenrolar da película. Somam-se os méritos. Andrey Tatou - que depois atuou em "O Código Da Vinci" e "Albergue Espanhol" - está perfeita no papel. Sua expressividade facial e corporal abrilhanta a produção. A protagonista nos ajuda a lembrar do "gosto pelos pequenos prazeres" e nos pegamos sorrindo com sutileza e espontaneidade... sem sustos ou espamos na tela. Tentarei parar de babar. Passarei a desenvolver uma resenha mais clara.
A tímida Amelie Poulain parece, nas sucessivas histórias de vida apresentadas durante as passagens de tempo, progredir em uma calorosa busca pelo sentimento simples e verdadeiro. A imaginação é o melhor trunfo de Amelie, principalmente enquanto seu intento não é alcançado. Uma a uma, as situações "tocadas" pela menina de brilhantes olhos amendoados, mesmo com a brevidade de poucos minutos, envolvem e emocionam; a forma como ela apresenta as soluções para as vidas alheias surpreendem e divertem. Um dos pontos-chave no filme é quando ela conhece o "homem de vidro". Ele é frágil. Porém, ela o parece com mais intensidade que o primeiro. Isso é perceptível no momento em que Amelie relembra as palavras do doente senhor com algum resquício de rancor: "Nunca soube se relacionar com os outros".Características como: inovações na organização temporal, um cenário para lá de belo - Paris, Montmartre, uma trilha musical sublime... fazem do filme histórico e completo. Como não vemos há muito.

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