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| Com a tela de projeção ao fundo, vemos o triste cenário do atraso nas obras do Cine Arte Uff |
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| Com a tela de projeção ao fundo, vemos o triste cenário do atraso nas obras do Cine Arte Uff |
Quando assisti Tropa de Elite 2 fiquei baqueada e, ao mesmo tempo, esperançosa. Aquela narrativa de forte cunho político fazer sucesso com o grande público brasileiro foi algo que me deixou em êxtase. Cheguei a acreditar que o mal-entendido provocado pelo primeiro filme de José Padilha – quando chegaram a rotulá-lo como fascista – tinha sido desfeito e que as pessoas tinham entendido a mensagem do anti-herói Capitão Nascimento em momento de mea culpa. No entanto, após um dia do confronto histórico entre a polícia e os traficantes no Rio de Janeiro, mais especificamente no Complexo do Alemão, percebi que eu estava completamente enganada. O maniqueísmo continua na moda e como eu odeio a moda.Muitas coisas me emocionam, tenho certeza de que vivencio as experiências da maneira mais profunda possível. Um filme pode ser "divino e maravilhoso" sem nenhuma pirotecnia, apenas com bom roteiro, bons diálogos, bons atores, boas músicas... Tudo isto está nos filmes do diretor Richard Linklater: "Antes do amanhecer" e "Antes do pôr do sol". Enfim, não irei resenhá-los, mas postarei o poema mais lindo de todos os tempos da última semana! Cena do filme, uma beleza de filme!
Desilusion Angel (David Jewel)
Daydream delusion
Desilusão de um sonho
Limousine and the eyelash
Limousine e os cílios
Oh, baby, with your pretty face
Ah, querida, com seu lindo rosto
Drop a tear in my wineglass
Derrame uma lágrima no meu copo de vinho
Look at those big eyes on your face
Vendo seus grandes olhos
See what you mean to me
Percebo o que você significa para mim
Sweetcakes and milkshakes
Bolos e milkshakes
I'm a delusion angel
Sou um anjo desiludido
I'm a fantasy parade
Sou um desfile de fantasia
I want you to know what I think
Quero que saiba o que penso
I don't want you to guess anymore
Não quero mais que adivinhe
You have no idea where I came from
Você não faz idéia de onde eu vim
Não sabemos para onde estamos indo
Lodged in life like two branches in a river
Jogados na vida como ramificações de um rio
Flowing downstream
Correndo rio abaixo
Caught in the current
Pescados pelo presente
I'll carry you. You carry me
Te levarei. Me levará
That's how it could be
É como deve ser
Don't you know me
Você não me conhece
Don't you know me by now
Não me conhece até agora
Tenho problema com rótulos. Rótulos destroem nosso senso de observação ao falsamente facilitar a opinião que formamos sobre as coisas (ou seja, só pode funcionar bem no supermercado mesmo). No que diz respeito à arte, os rótulos atrapalham... e muito. Por exemplo, quando termino de assistir um filme que adoro e alguém me questiona: “qual o tipo de filme?” Chega a dar uma dor no coração. E para terminar de me apunhalar, depois de ouvir minha sofrida resposta carimbada (romance, drama, comédia) recebo a réplica: “não gosto desse tipo de filme”. Como assim?
Cinema é mais do que isso. É sensação, identificação, trilha sonora, fotografia, roteiro, locação, figurino, atuação... A quantidade de profissionais e áreas envolvidos nesse trabalho é imensa. Não dá para restringir desta forma. Acredito que quando é muito fácil determinar a que tipo de filme pertence uma produção de cinema é porque ela é limitada. Procura uma fórmula fácil para vender e agradar aos aficionados (vide 99% dos filmes de terror).
Agora, o pior dos rótulos é aqueles que diz respeito à baixa auto-estima cinematográfica do brasileiro. Essa que resolve enquadrar todas as produções realizadas no Brasil em um mesmo “balaio”. Uma forte irritação sobe pela minha espinha dorsal quando ouço afirmações do tipo: “Ai, não consigo gostar de filme brasileiro. Assisti Cidade Baixa (por exemplo), só tem sexo e palavrão”. Ok. Primeiro ponto, todos têm direito a gostar ou não do filme que for, mas toda a produção de um país não pode pagar pelo pouco conhecimento que cada um tem do próprio cinema. Segundo, sexo e palavrão está presente de forma ostensiva em grande parte do cinema em todo o mundo (o que existe é uma “maquiagem” melhor e uma dublagem ou legenda muito ruim). Terceiro e último ponto, os elementos de um filme (seja sexo, humor, drama, sustos) podem ser mau ou bem utilizados. Desqualificar um filme por uma característica natural é extremamente bobo, limitado.
Cinema é muito mais do que isso. São pessoas com vocação artística (ou não) que colocam seus corações e mentes a serviço de uma obra de arte. É importante ressaltar que estou falando do cinema de verdade e não de oportunistas. Um trabalho que leva a sério o público, os valores profissionais (ou artísticos, se for melhor), as visões de mundo. Quando nos postamos em frente a um telão, ou à televisão, ou à tela de computador, para vermos uma produção cinematográfica, precisamos nos entregar um pouco ao momento. Abrir a possibilidade de sermos conquistados por algo que vai além de duas horas de exibição, que influencia nosso desenvolvimento como seres pensantes e vivos.
Desolé...
Depois de quase sete meses de afastamento do meu querido blog Cinemusique, “eu tô voltando pra casa, outra vez”, como diria Lulu Santos. Tive crises de abstinência dignas de um rockstar ex-viciado por estar distante dos meus textos sobre uma das coisas que mais amo na vida: cinema.
Para me ajudar no tratamento, meus amigos me aturaram falando sobre o assunto no ouvido deles em cada oportunidade que encontrei – obrigada pessoal. Mania de quem gosta de ter opinião sobre tudo, não consigo controlar. Acho que poderia dizer que é coisa de jornalista. De cinéfilo. De chatos. Mas prefiro pensar que é coisa de quem se interessa pelas coisas que o cercam e, mesmo que de maneira sutil, gosta de pensar que também interfere na sociedade em que vive.
O amor pela arte (seja sétima, primeira ou segunda) é a mais interessante das fugas de uma realidade que nos massacra. Acho que é uma das poucas coisas que dão algum significado para nossa existência insignificante. Afinal, nossa vida niilista nada mais é do que a contemplação do nada.
Desolé...
